terça-feira, 28 de abril de 2009

Os pavões da Estrela




É desse tipo de coisa que sentirei mais saudades de Lisboa! Ora vejam só, não é em todo lugar do Brasil que podemos ser acompanhados pela rua por companhia tão inusitada e aprasível: um casal de pavões! Hoje cedo, ao levar minha filha para a escola, deparei-me com essa cena.
O casalzinho de aves chamava a atenção de todos os passantes, abriam os lábios portugueses, ainda insuficientemente acordados, em inevitáveis sorrisos e provocava o júbilo das muitas crianças que se dirigiam para mais um dia de aulas. Que visão para começar um dia de labuta!
Sei que são ilustres moradores do Jardim da Estrela, que fica a poucos metros de minha rua, pois já os vi por lá. Já no Jardim eles são uma atração à parte, praticamente modelos profissionais, sempre muito perseguidos pelas lentes dos fotógrafos amadores e profissionais que costumam clicar nesse belo espaço, ambos os tipos igualmente sensibilizados pela beleza e graça desses personagens.
Mas pronto! Eis que, talvez entediados com tanto bucolismo enfloreado do Jardim da Estrela, talvez impacientes com o interminável alvoroço dos inúmeros pombos com os quais dividem os canteiros e árvores, ou aborrecidos com a displicência dos patos a nadarem nos tanques, o fato é que se aventuraram numa perambulação urbana pelos arredores. Quiçá pensaram: - Vamos despertar a admiração das pessoas por aí! Vamos nos exibir um pouco!
Lisboa amanheceu cinzenta e fria hoje, com seus encantos reduzidos, com sua beleza um pouquinho mais sombria, mas não para quem passou na travessa onde moro. Para esses afortunados, o dia ofereceu a visão de um casal de pavões, a passearem brejeiramente pelo centro de Lisboa.

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