sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Tejo de minha janela


De minha janela, toda manhã, avisto o Tejo
e as árvores bailando conduzidas pelos ventos
as antenas trêmulas, rígida graciosidade
atingidas, chicoteadas pelos mesmo ares dinâmicos

Os carros navegam como os minutos pela rua
Os barcos trafegam como as horas pelo Tejo

De minha janela, toda tarde, avisto o Tejo
e pombos arrulhando um belo fado
e ouço discussões portuguesas, ranzinzas
dos arcaicos e únicos moradores de minha rua

Os ruídos ondulam como marolas pelos ares
As águas solfejam como composição pelo Tejo

De minha janela, toda noite, avisto o Tejo
e janelas e mais janelas nas paredes em derredor
que abraçam minha rua, e a esmagam
entremostrando fantasmas por trás dos quadrados de vidro

Os espectros submergem como nalfrágio pelos sonhos
As brumas tansluzem como almas pelo Tejo

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