domingo, 10 de maio de 2009

Poema ao meu marido


Firme, belo, santo e transparente.
Como um cristal
Firme
Não se quebra com facilidade
Pode tricar
Possivelmente rachar
Mas aí está a beleza de coisa muito usada
Muito vivida, utilizada
Muito experimentada
Belo
A graciosidade do início do amadurecimento
Da insistência do diálogo
Da flexibilidade do ceder e do sacrifício
Da intensa amizade
Da cumplicidade espontânea
Da paciência, da compreensão
Da alegria e do bom-humor
Da parceria
Santo
Não por não errar
Nem por não pecar
Mas por se importar com a santidade
Por considerar a graça
Centralizar e priorizar o Santo
Por nunca deixar de buscar
Transparente
Que não esconde as condições
Pois sinceramente não é incondicional
Nem por isso menos verdadeiro
Que se mostra na limpidez
Das opiniões,
Das discussões,
Das verdades não omitidas
Talvez incômoda translucidez
Mas assim o cristal é
Já me disseram que a paixão
Às vezes esfria, pausa
Mas que se é amor
Permanece
Firme, belo, santo, transparente
E nisso eu sei
Que o que temos
É verdadeiro amor

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