quarta-feira, 6 de abril de 2011

Árvore

Ia
Fugida da doce perseguição de papai, mamãe e dos meninos



Subia
Quanto mais rápido e mais Indiana Jones, melhor
Sentava
Conforto e segurança é tudo o que se quer de uma estada na árvore
Ficava
Minutos, horas, manhãs, tardes

Olhava
Os galhos, as folhas, as frutas, as aves, o céu, de baixo pra cima
Pensava
Nos amoricos, nas aventuras, na vida real (nessa ordem)
Esperava
O pessoal me achar, o almoço aprontar, a noite chegar

Lia
Os paradidáticos, os José de Alencar, os Maurício de Souza, o que viesse
Escrevia
Os diários, as agendas, as cartas, as proto-poesias perdidas
Sonhava
Com pores do sol, sereias, o espaço sideral, beijos

Escondia
Sentimentos, papéis de balas com recadinhos de amor, a mim mesma
Isolava
Sentimentos, diálogos, amizades, a mim mesma
Imaginava
Sentimentos, contos de fadas, encontros reais, a mim mesma

Abastecia
A inteligência, a imaginação
Recarregava
O espírito, o coração
Voltava
À convivência, à comunhão.

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