domingo, 1 de janeiro de 2012

Movimento de Transladação da Terra

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jota e a barata flambada

Toda a nossa família e amigos conhecem os famosos dotes culinários de Jota, meu marido. Ele faz um peixe que é famoso, desde a época de sua juventude, e com o passar dos anos, foi só se sofisticando mais. Houve até  uma vez em que ele fez um jantar chiquérimo para a família toda, com entrada, prato principal e sobremesa. Ninguém nunca conseguiu superar aquele sorvete caseiro com bananas flambadas do Jota! Foi assunto das reuniões familiares por muitos e muitos anos. Surgiram até quem o incentivasse a largar tudo e se dedicar a gastronomia, mas ele dizia com modéstia estampada (e orgulho disfarçado) que não era pra tanto... 
Também é conhecida de todos a fobia que Jota tem de baratas. Ele sempre lutou muito contra isso, mas com o passar dos anos, foi só ficando mais incontrolável. Quantas e quantas vezes tive que salvar o Jota de cima das cadeiras, gritando por socorro, enquanto a barata fugia assustada. Logo eu, que sou a inimiga número um desses seres odiosos. Pois é. De tanto eu reclamar com o Jota e colocar em cheque sua masculinidade, ele passou a fazer das tripas coração e, numa prova de amor incontestável, começou a tentar matar as baratas que apareciam para acender o fogo da minha ira (sim, é exatamente esse o quadro quando eu me deparo com a presença abjeta desses seres, os quais Deus deve lá saber o porquê deles, quanto a mim, não me ocorre nada... Enfim...). 
Jota passou a tentar, nem sempre com sucesso, eliminar as miseráveis. E aí eram métodos absolutamente nada ortodoxos. Começou com a ingenuidade dos spray de inseticidas borrifados a partir de posições inócuas, progrediu para o bem intencionado mas igualmente inútil lançamento de chinelos à distância até atingir o corajoso sapateado-do-crioulo-doido pelos cômodos da casa, embora muitas vezes tenha me parecido mais um pas de deux do que um baraticídeo. De lá pra cá eu já vi de tudo: todos os lançamentos do mercado de inseticidas, esmagamentos com todo tipo de objeto que estiver à frente no momento de necessidade, artes marciais, armas brancas, etc. Ou melhor, eu pensava que já tinha visto de tudo, pois hoje o Jota se superou.
De repente percebi aquela agitação que vem logo depois do grito másculo e viril da descoberta da barata. Aprendi a ficar na minha, afinal, ele já tem pressão suficiente com que lidar. Em seguida vem o corre-corre da estratégia para acabar com o inseto miserável. A princípio ele optou pelo inseticida, mas como havia acabado, ele tentou aquele manjado "fica aqui enquanto eu vou buscar o chinelo que é pra ela não fugir", mas não colou. Me ofereci para pegar um chinelo e fui. Demorei um pouco a encontrar algum e, quando voltei à cozinha, o Jota estava despejando uma garrafa de cachaça na pia. Não entendi nada e perguntei: 
"Pra quê isso, Jota? Cadê a barata? Já matou?" 
E ele respondeu baixinho:
"Não, ela está aqui na pia."
E eu repliquei brincando, tentando diminuir a tensão do momento:
"E o que você está pretendendo? Fazê-la entrar em coma alcoolico?"
E o Jota, para o meu total e completo pasmo, gritou:
"Não! Eu estou pretendendo ISTO!"
Com toda destreza sacou de uma caixa de fósforo e muito rapidamente ateou fogo na pia, matando a barata carbonizada. E ainda completou num tom grave:
"Barata flambada, baby! Ela teve o que mereceu!"
Falar mais o quê? Finalmente algo que excedeu as famosíssimas bananas flambadas do histórico jantar de família...

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*Jota é um personagem fictício, inspirado nas figuras masculinas (pai, irmãos, marido, amigos, etc) da minha história.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

10 coisas tipicamente femininas das quais definitivamente NÃO sou muito fã

10. Discutir a relação (Aparentemente eu sou de Marte e não de Vênus...);

9. TPM (As minhas e as das outras);

8. Comprar roupas (Sempre sobra muito na traseira e falta muito na carteira);

7. Conversas de salão de beleza ("Quem te deu essa intimidade, minha-cara-completa-estranha?" Eu heim...)

6. Mania de dar pitaco em tudo (Admito que não resisto muitas vezes, mas reconheço a chatice do fato...)

5. O drama feminino (Nem mesmo a maioria das mulheres tem mais paciência para os dramas femininos, mas vira e mexe eles aparecem, não se sabe de onde, de maneira incontrolável...)

4. Preocupação com a celulite (Até os homens, os nenês, as laranjas tem celulite!)

3. A memória-de-elefante-feminina (Eu não tenho e ocasionalmente estou em apuros por causa disso...)

2. Medo de insetos (Culpada!)

1. E em primeiríssimo lugar: depilar a virilha (desnecessário qualquer complemento...)

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Meu marido Jota: De quase jeca à quase-metrossexual


Jota é um homem que gosta da simplicidade. De fato, ele não é muito preocupado com moda e o mundo fashion, ou mesmo com nenhum tipo de roupa ou visual de uma maneira geral. Para ele, metro-sexual deve ser algum objeto desses que se vendem naquelas esquisitas lojas “sex shop”. Eu não o chamaria de “jeca”, mas foram precisos alguns bons anos de paciência e redundâncias para que ele parasse de achar normal ir à padaria descalço, ao médico com aquela camisa furada ou mesmo ir ao escritório com suas gravatas estampada com os belos e engraçadinhos (e muito maduros) padrões do cartoon Looney Tunes e seus coelhos saltitantes e patos pretos enfezados.
No começo, os nossos filhos reclamavam, se sentiam um pouco embaraçados com a figura do pai indo buscá-los em suas atividades com chapéu de palha, meias sociais pretas dentro do tênis de caminhada, camisa social e bermuda. Com o passar do tempo, foram dando menos importância e por fim, ficavam já na expectativa da última que o pai ia aprontar com seu estilo "Agostinho Carrara". Eu, no começo, como toda mulher normal que eu conheço, quis mudar o meu homem. Irritava-me e sempre ficava pessoalmente ofendida com sua total incapacidade para “viver em sociedade”! Claro, quem é que se sente animada e orgulhosa de estar casada com o sósia do famoso cantor de brega Falcão? (Resposta: a esposa dele? O.õ Anyway…) Enfim, era inevitável não tentar mudá-lo. Contudo, não sei se por falta de perseverança minha ou simples cansaço mesmo, eu fui pouco a pouco deixando pra lá. Na minha cabeça esta era uma batalha perdida pois sempre que eu tentava fazer com que ele abandonasse seu estilo “básico-mulambo” ele me vencia com sua argumentação elaborada sobre a “hegemonia em Gramsci e a ditadura da moda” ou a “liberdade das idiossincrasias num mundo democrático”. Ou simplesmente me vencia pelo fato de eu estar de saco cheio mesmo…
Quer ir para o casamento com o paletó verde musgo e a calça azul marinho? Então vá! Quer ir para o trabalho com a camisa xadrez amarelo e azul e a gravata listrada (“Mas as listras também são amarelas e azuis! Não combina não? Tom sobre tom?) OK! Quer usar o chapéu de palha no shopping? Pode! Boné na missa? Chinelos no aniversário? Camisa de arrumar o carro (com “pequenas e imperceptíveis” manchas de óleo) na festinha da escola das crianças? Fazer a barba e deixar só o bigode? O.O Sim, querido, como você preferir.
Ele estranhava minha indiferença. Via em seu rosto a desconfiança de um eleitor em tempo de eleição, algo entre “Será que ela colocou alguma ratoeira nessa calça?” e “Estou fedendo?”… E quando ele ficava “pronto” para sair, andava receoso, olhando para os lados, como quem espera cair numa arapuca a qualquer momento, e perguntando várias vezes: “Então, vamos? Tudo pronto? Certeza?”, mas acho que no fundo ele estava querendo dizer: “Tudo bem eu ir vestido assim? Você não vai brigar? Você colocou pó de mico nas minhas meias? FALA A VERDADE!” Ao que eu respondia com “toda tranqüilidade”: “Tudo prontíssimo! Que enrolação! Depois reclama que mulher demora a se arrumar! Estou pronta aqui um tempão te esperando! Vamos logo!”
O senso comum diria que esta situação estava fadada a ir piorando mais e mais, até o fatídico dia em que o Falcão se transformasse no Chacrinha e, pior, eu me transformasse na esposa do Chacrinha! Mas, por incrível que pareça, pouco a pouco, o Jota foi mudando. Era um site de moda masculina aqui, uma reportagem no tele-jornal sobre combinar as meias com as calças e os sapatos ali… Até o dia em que eu vi, com esses meus olhinhos que a terra há de comer, uma caixa de gravatas de seda chegando pelo correio e o meu inacreditável Jota usando perfume! PERFUME! (Uma pequena lágrima cai do meu olho esquerdo agora…) Jota ainda gosta de simplicidade e ainda é avesso ao mundo fashion. Realmente eu não o chamaria de metro-sexual, e vira e mexe ele ainda usa o chapéu e insiste no bigode, mas… depois de velho, o Jota está mais para âncora de telejornal em revista de fofoca num dia de folga do que para cantor brega disfarçado de árvore de natal ou apresentador de programa de auditório com algum abacaxi na mão! Grande progresso, Jota!…


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*Jota é um personagem fictício, inspirado nas figuras masculinas (pai, irmãos, marido, amigos, etc) da minha história.

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Quinze coisas que já deviam ter acabado há muito tempo:


1. Malhação;

2. Especial de fim de ano do Rei Roberto;

3. A dengue no Brasil;

4. A Monarquia como forma de governo (Tem algum sentido? Quem tiver algum fundamento, me explique...);

5. A carreira de locutor do Galvão Bueno;

6. Programas de auditório no estilo do Seu Sílvio Santos, Gugu ou Domingão do Faustão;

7. Obras do GDF;

8. Realitys Shows tipo BBB (e lá vem a 12ª edição), a Fazenda (e lá vem a 4ª edição);

9. A onda do funk carioca;

10. Impunidade para políticos corruptos;

11. A 'Saga' Harry Potter;

12. A recusa em se usar câmeras para auxiliar a arbitragem em jogos de futebol;

13. Saidões para presos;

14. A moda da calça Saruel (a não ser que vc seja um bebê/velhinho que precise de fraldas, ou o Aladim...);

15. Discriminação de qualquer espécie, gênero, raça, religião, etc.

Faltou alguma coisa?....

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

BRINCADEIRA

(Esta é uma poesia de minha vó Sebastiana Fernandes de Morais para o meu pai, Luiz Alexandre de Morais. Como o título diz, é uma brincadeira dela num domingo ocioso, na qual ela imagina sua futura nora...)



Luiz agora vou mudar de assunto
Fazer você dá risadinha
Com um casamento que estou procurando
Pra você: é uma neguinha

Não pense que estou contente
E nem com tanta alegria
Com isto a noite vem
E vai passando o dia

Desejando para você
Uma bonita mocinha
Pode ser das pernas curtas
Mas que seja bem fininha

Cabelo pode ser preto
Mas que seja enrolado
Orelha, grande e comprida
E o nariz esborrachado

O pé seja mais ou menos
Meio metro quadrado
Não precisa usar chinela
E você fica folgado

A cintura é de garrafa
O corpo de garrafão
Os braços, reto, sem volta
Do ombro até na mão

Rosto largo e boca grande
Olhos vermelho regalado
Cabeça grande e redonda
No pescoço, um papo de lado

Dente lago da medida
Ou da enxada ou do enxadão
Sobrancelha e a pestana
Desenhada de carvão

Dedo curto, unha grande
Do tamanho da de bandeira
Já estou quaz terminando
Esta minha brincadeira

O andado dessa moça
Requebra prá-lá-prá-cá
Quando sorte uma risada
Qui-á qui-á qui-á-rá-rá-rá

Luiz?

Se esta for a sua sorte
Ela vai aparecer
Não precisa apavorá
E nem medo de perder

Luiz

O Domingo é muito grande
Custoso de se passar
E fui fazendo esta puizia
No momento, sem pensar

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